Um novo sentido para os residenciais de idosos
A terceira idade.
Um novo sentido para os residenciais de idosos
A decisão de procurar um residencial ou casa de repouso para idosos pode ser um momento difícil, pois muitas vezes nos sentimos desconfortáveis diante da situação. Afora a impressão de que locais do gênero significam abandono e desinteresse dos filhos em manter o convívio com os pais, já em idade avançada e, com muita frequência, acometidos por doenças senis, como o Mal de Alzheimer. Familiares costumam relutar sobre a tomada de decisão de mudar a moradia do idoso para um residencial, quando a sensação de culpa e impotência toma conta. Porém, se formos olhar sob a perspectiva do cuidado e da responsabilidade, um residencial pode proporcionar inúmeras vantagens aos vovôs e vovós, desde o atendimento especializado e confiável até uma oportunidade digna de morada.
A expectativa de vida vem crescendo consideravelmente e cada vez mais a conscientização das necessidades, que esse momento implica na vida das pessoas, também aumenta. A longevidade traz desafios de manter corpo e mente sãos, não só para o indivíduo mas para os familiares. Em contrapartida, mudanças sociais, como a inserção da mulher no mercado de trabalho, transformaram a dinâmica social de cuidado aos idosos. Cresce, portanto, o papel das instituições especializadas na terceira idade. No passado, as dificuldades da família em lidar com alguma limitação do idoso estavam correlacionadas ao ato de retirar pessoas de casa e levar para lugares denominados asilos ou casas de repouso, muito condicionados ao formato de internação, tratamento ou até isolamento. Os tempos mudaram!
Hoje, já temos locais denominados residenciais, totalmente adequados para propiciar o conceito de lar, buscando promover ao idoso a autonomia, lazer, conforto e a sensação de estar em casa, trazendo a tranquilidade que a família precisa para continuar, socialmente, exercendo suas atividades cotidianas. Estar ciente de que o pai ou a mãe possam viver em segurança. É importante lembrar que cuidar do idoso não significa mantê-lo em casa, sob qualquer circunstância. Cuidar é disponibilizar o melhor para sua saúde mental e física. O sentimento que deve nortear essa decisão é o propósito sincero de encontrar a alternativa mais segura para todos os envolvidos; e a escolha de um residencial, que esteja apto para prover os cuidados necessários pode ser uma opção eficiente, garantindo o acesso da família para visitas e às informações relacionadas ao seu idoso. Por isso, na hora de escolher um serviço do gênero é imprescindível verificar a assistência médica, de enfermagem, equipe de cuidadores e nutricional ao alcance dos moradores, além de outros benefícios como entretenimento, conforto e espaços de convivência.
Outro detalhe relevante consiste em procurar saber se a instituição é regularizada, se possui estatuto registrado e alvará de funcionamento da vigilância sanitária local. A documentação pode ser obtida na própria instituição ou junto à autoridade de saúde da região. Vale a pena ver se ela tem um cadastro no Conselho Municipal do Idoso. Durante a admissão, é feito um contrato entre a instituição de longa permanência e o residente e/ou familiar responsável. Nesse documento são especificados os direitos e obrigações da entidade em relação ao idoso, sendo importante ler todos os itens com atenção. Observar, com antecedência, as instalações, bem como a higiene do local, estrutura das acomodações, armazenamento dos alimentos e cuidados com as roupas.
Realidade dos idosos que vivem em residenciais
De acordo com o estudo “Condições de funcionamento e infraestrutura das instituições de longa permanência para idosos no Brasil”, publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o país possui mais de 20 milhões de pessoas da terceira idade, mas apenas 218 instituições públicas de longa permanência. No total, esse tipo de entidade, pública e privada (com ou sem fins lucrativos) abriga cerca de 90 mil idosos, sendo a maioria mulheres.
Dois terços das instituições estão concentradas na região Sudeste (71%) – o estado de São Paulo possui 34,3% do total. O estudo ainda revelou que há uma demanda urgente por esse serviço, já que a população brasileira está envelhecendo. Conforme dados do Ministério da Saúde, já em 2016 o Brasil tinha a quinta maior população idosa do mundo e, em 2030, o número deverá ultrapassar o total de crianças entre zero e 14 anos. Historicamente, existe um preconceito sobre os residenciais e casas de repouso, por muitos considerarem-nas um “lugar de exclusão social”. No entanto, é preciso combater esse estereótipo, pois são locais responsáveis por abrigar e cuidar de pessoas impossibilitadas de estarem ao lado de suas famílias, devido à condição de atendimento especializado constante. Paralelamente, o acompanhamento familiar pode melhorar o estado de saúde delas, já tendo sido comprovado em estudos de psicologia, refletindo na sua qualidade de vida.
A pandemia restringiu visitas e o maior contato – por medidas preventivas a um público extremamente suscetível ao novo coronavírus. Mas quando esse distanciamento forçado acabar, nada impede retribuirmos gratidão aos nossos “velhinhos”, conversar (mesmo ouvindo histórias repetidas), demonstrar carinho, estar presente. Pelo o que demonstram as estatísticas, o jovem de hoje será o idoso de amanhã.