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Preconceito contra o idoso evidencia sua exclusão social

A terceira idade.

19 de

Preconceito contra o idoso evidencia sua exclusão social

Uma em cada duas pessoas tem atitudes discriminatórias contra os idosos. Esta foi uma das conclusões do recente relatório global sobre Idadismo da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado em março de 2021

 

Infelizmente, metade das pessoas no mundo pratica atos que discriminam os idosos, contribuindo para a piora da saúde mental e física desses indivíduos. Este cenário ficou ainda mais evidente com a pandemia da Covid-19, devido à intensificação da divisão entre jovens e pessoas mais velhas. Diante do medo e da falta de recursos, se tornaram comuns discursos inflamados – inclusive nas redes sociais – culpando os idosos como “improdutivos” ou por “onerarem” o sistema de saúde. A própria prioridade no acesso às vacinas contra o novo coronavírus, em detrimento dos mais jovens, tem sido motivo de controvérsias.

Em uma sociedade que tende a valorizar a produtividade acima de (quase) tudo, a priorização dos idosos, neste caso, porém segue a lógica: são eles os mais vulneráveis às formas mais graves da doença. Um exemplo de como o Idadismo – também conhecido Ageísmo – pode colocar em risco a vida daqueles que vitima.

 

Você já tinha ouvido falar em Idadismo?

Falta de paciência, piadinhas maldosas, deboche, raras oportunidades de inserção no mercado de trabalho, invisibilidade. A discriminação contra pessoas mais velhas acontece de forma constante e sistemática na sociedade. A este preconceito dá-se o nome de Idadismo, uma prática que marginaliza e promove a exclusão social de uma parcela importante (e numerosa) da população. Naturalizamos tanto o preconceito etário que, muitas vezes, nem percebemos como reforçamos estereótipos: colocando idosos até em papéis caricatos nos programas de televisão, adotando adjetivos como “velho” para ofender alguém ou infantilizando-os.

O Ageismo ou Idadismo pode ser identificado quando a idade é usada para categorizar ou dividir pessoas, de maneira que esta divisão venha a promover desvantagens e injustiças pessoais e sociais, podendo ocorrer associado ou exacerbado por outras formas de preconceito relacionado às diferenças, como: deficiência física, raça e sexo. A discriminação em função da idade tem um impacto significativo em nossa participação na sociedade, na saúde e na longevidade. Evidências mostram que aqueles que têm atitudes negativas sobre o envelhecimento apresentam recuperação mais lenta das incapacidades, e vive, em média, menos 7,5 anos do que aqueles que possuem uma atitude positiva e menos probabilidade de se integrarem socialmente.

 

Relatório Global

Em março de 2021, a Organização Mundial da Saúde (OMS), lançou campanha por meio de um relatório global contra o preconceito de idade. Este documento propõe diretrizes de ação para reduzir o preconceito de idade, incluindo recomendações específicas para diferentes atores sociais (por exemplo, governos, agências da ONU, organizações da sociedade civil, setor privado). O Global Report on Ageism reúne as melhores evidências disponíveis sobre a natureza e magnitude do preconceito etário, seus determinantes e seu impacto, descrevendo as estratégias que funcionam para prevenir e combater o preconceito de idade, além de propor futuras linhas de pesquisa para melhorar a compreensão sobre o preconceito.

A resposta para controlar a pandemia Covid-19 também revelou o quanto o preconceito etário é difundido - pessoas mais velhas e mais jovens têm sido estereotipadas no discurso público e nas redes sociais. Em alguns contextos, a idade costuma ser usada como o único critério para acesso a cuidados médicos, terapias que salvam vidas e para isolamento físico. O preconceito de idade se infiltra em muitas instituições e setores da sociedade, incluindo aqueles que fornecem assistência médica e social, no local de trabalho, na mídia e no sistema jurídico. O racionamento da saúde, com base apenas na idade, é generalizado. Uma revisão sistemática, realizada em 2020, mostrou que em 85% de 149 estudos, a idade determinou quem recebeu certos procedimentos ou tratamentos médicos.

O preconceito de idade tem consequências sérias e abrangentes para a saúde e o bem-estar das pessoas. Entre os idosos, o envelhecimento está associado a uma pior saúde física e mental, maior isolamento social e solidão, maior insegurança financeira, diminuição da qualidade de vida e morte prematura. Estima-se que 6,3 milhões de casos de depressão em todo o mundo sejam atribuíveis ao envelhecimento. Ele cruza e agrava outras formas de preconceito e desvantagem, incluindo aquelas relacionadas a sexo, raça e deficiência, levando a um impacto negativo na saúde e no bem-estar das pessoas.

“A pandemia colocou em destaque as vulnerabilidades dos idosos, especialmente aqueles mais marginalizados, porque são pobres ou vivem com deficiências, mulheres que moram sozinhas ou pertencem a grupos minoritários”, disse Natalia Kanem, diretora Executiva do Fundo de População das Nações Unidas.

O preconceito de idade custa bilhões de dólares às sociedades. Nos Estados Unidos (EUA), um estudo de 2020 mostrou que o preconceito etário na forma de estereótipos negativos de idade e autopercepções levou a custos anuais excessivos de  63 bilhões de dólares para as oito condições de saúde mais caras. Isso equivale a 1 dólar em cada 7 dólares gastos nessas condições, para todos os americanos com mais de 60 anos, durante um ano. Já na Austrália estimativas sugerem que se mais 5% das pessoas com 55 anos ou mais estivessem empregadas, haveria um impacto positivo de 48 bilhões de dólares australianos na economia nacional, anualmente. Existem atualmente dados e informações limitados sobre os custos econômicos do preconceito etário, e mais pesquisas são necessárias para entender melhor seu impacto econômico, especialmente em países de baixa e média renda.

 

Combatendo o preconceito etário

O fato é que o preconceito etário prejudica a todos - velhos e jovens. Muitas vezes é tão difundido e aceito, tanto em atitudes pessoais quanto em políticas nacionais, leis e instituições, que acabamos não reconhecendo o seu efeito prejudicial sobre a dignidade das pessoas envolvidas.

O relatório global observou que as políticas e leis que tratam do preconceito, atividades educacionais que aumentam a empatia e dissipam os equívocos e atividades intergeracionais, que reduzem o preconceito, ajudam a diminuir a discriminação. Todos os países e partes interessadas são encorajados a usar estratégias baseadas em evidências, melhorar a coleta de dados e trabalhar juntos para construir um movimento para mudar a forma como pensamos, sentimos e agimos em relação à idade e envelhecimento.

É preciso que se tenha mais investimento em políticas públicas a fim de reforçar o combate a quaisquer atos de preconceito. Tais políticas terão como base a proteção dos idosos contra qualquer conduta discriminatória, seja ela voluntária ou não. A conscientização social e respeito civil também devem ser disseminados por meio de orientação e educação nas escolas. Vale ressaltar que já existem alguns Projetos de Lei, cujo objetivo prevê que assuntos acerca do envelhecimento sejam incluídos no currículo escolar. Isto ajudará na melhor compreensão da cultura do envelhecimento como um processo natural da vida, e que todos irão passar por isso. É fundamental ainda a mudança de atitudes e pensamentos, não apenas na rua, mas dentro de casa, entre os familiares de idosos. Os mais velhos são pessoas adultas e, como tal, têm vontades de pessoas maduras. Por este motivo, é importante que sejam tratados assim e não, infantilizados. Nada mais saudável que estimulá-los a ter uma vida ativa, motivando-os a passeios, encontros sociais, práticas de atividades físicas ou eventos festivos.

Que tal, fazer com que o idoso não se sinta anulado?! Ajude a anular o preconceito!

 

 

Fontes: Associação dos Cemitérios e Crematórios do Brasil, SINCEP (Sindicato dos Cemitérios e Crematórios Particulares do Brasil) e Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.

 

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