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Por que somos supersticiosos?

Motivação

17 de março

Por que somos supersticiosos?

 

Imagine quantas pessoas acreditam que o número 13 é sinônimo de azar ou quem pensa que usar um amuleto as protege do mau-olhado. Há ainda os que fogem dos gatos pretos (pobrezinhos dos bichanos!) e evitam, a qualquer custo, passar embaixo de uma escada.

O fator mais fascinante dessas crenças populares é que, por mais que possamos considerá-las irracionais, preferimos não dar chance ao azar e continuar fazendo o que elas sugerem. Qual seria o motivo?! A resposta é simples: a velha necessidade humana de controlar todos os aspectos da vida. Até aqueles que não dependem de nós. "Superstições são úteis quando não temos controle sobre algo que desejamos muito que aconteça", explica o psicólogo comportamental Stuart Vyse, especialista em crença e superstições e autor do livro "Acreditando em Mágica: A Psicologia da Superstição”. Segundo ele, esse processo acontece em situações associadas a algo importante, como o nascimento dos filhos, um casamento, uma entrevista de emprego ou uma viagem importante. "Queremos muito que aquilo dê certo, mas não temos como garantir que isso nos dará a sensação de conforto”, completa. Isso é normal?

Sim! De acordo com o Centro de Desenvolvimento Cognitivo da Escola de Psicologia da Universidade de Bristol, na Inglaterra, os humanos são seres deterministas causais, ou seja, enxergamos tudo - fenômenos relacionados à vida e morte, ao mundo, etc - como sendo causado por algo ou alguma coisa. Assim, criamos associações o tempo todo, em um processo automático, para tentar achar padrões que expliquem e organizem as informações que recebemos todos os dias. O problema é que, quando não há uma explicação clara aparente, o cérebro acaba fazendo uma associação de que não é 100% racional. É daí que nascem as superstições. A necessidade de controle vem de outra característica tipicamente humana: o medo frente ao desconhecido. "O cérebro não aceita a dúvida, a incerteza. Isso gera angústia e sofrimento", explica o psiquiatra Rodrigo Leite, coordenador dos ambulatórios do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Para se proteger da dor, nossa mente cria essas 'histórias', associações que nos fazem sentir que temos controle sobre o que está acontecendo.

As superstições estão muito ligadas aos rituais. Conhecemos inúmeras delas ligadas ao esporte, por exemplo, quando temos muito tempo para esperar por um resultado. Com o objetivo de amenizar essa ansiedade, criamos uma espécie de rituais para aliviar o estresse, na medida em que acreditamos que isso garantirá um bom resultado. É comum vermos jogadores de futebol realizarem alguns movimentos antes de começarem a jogar. Também encontramos torcedores que só assistem aos jogos do time se estiverem usando uma determinada peça de roupa. O problema é quando esse excesso de ritualização da vida foge ao controle.

Aqui, no entanto, há uma diferença importante: enquanto a superstição é uma forma de garantir que algo aconteça como queremos, trazendo conforto, o ritual do TOC (transtorno obsessivo compulsivo) é feito para impedir que algo ruim aconteça, e não provoca alívio. "O ritual do transtorno é individual e faz sentido apenas para aquela pessoa. Não vemos isso nas superstições", explica Rodrigo Leite. Ou seja, não há nada de errado usar a "camisa da sorte" ou dar três pulinhos para São Longuinho ajudar a encontrar um objeto perdido. Isso não torna a sua vida mais angustiante. Afinal, quem nunca, não é mesmo?!

As próprias “simpatias” entram nessa explicação. Ou você nunca se rendeu ao poder místico da canela para atrair riqueza e prosperidade. A simpatia de soprar canela em pó no dia 1º de cada mês, na porta de casa, de fora para dentro, é uma forma de renovar as energias do período, esperando que a abundância chegue até você. Assim, você dá início a um novo ciclo com mais energia positiva e motivação para a realização dos seus desejos. E a prosperidade, neste caso, não se limita a dinheiro, não. Uma pessoa com saúde, boas amizades e emprego que a realize também pode considerar ter uma vida próspera.

Contudo, deixando um pouco o autocontrole de lado, independente da crença, ritual ou simpatia, a sua fé é a grande responsável pelo sucesso daquilo que você almeja. Concentre a sua mente na ideia de que tudo dará certo, mantenha pensamentos positivos, mesmo perante dificuldades, comuns na vida das pessoas. Pode ser complicado, é verdade. Mas paz de espírito não tem preço e a fé pode ser uma aliada potencial para nos tornar seres mais fortes, esperançosos e confiantes!

 

Fonte: Portal Viva Bem

 

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