Os perigos da automedicação para idosos
Os perigos da automedicação para idosos
Os perigos da automedicação para idosos
É uma tarefa difícil encontrar quem nunca tenha apelado para um comprimidinho comprado, sem receita, ao ter uma dor de cabeça ou sob os efeitos daquela gripe forte. Esses medicamentos – antitérmicos, antigripais, entre outros – costumam ficar próximos ao balcão onde estão os atendentes e farmacêuticos, mas o acesso a eles é totalmente livre. A facilidade parece justificar que nada menos que 76,4% dos brasileiros sejam adeptos da automedicação, segundo o Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ).
Engana-se quem pensa que tomar um remédio de vez em quando, sem indicação médica, não faça mal. Segundo a Abifarma (Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas), cerca de 20 mil pessoas morrem anualmente no país por terem tomado remédios indevidamente. Não se sabe quantos casos desses casos são idosos, mas pode-se considerar que a automedicação, nesse grupo populacional, é ainda mais perigosa. Os medicamentos agem de formas diversas se tomados nas diferentes fases da vida. A automedicação é perigosa para qualquer idade, porém entre os idosos o perigo é maior. Geralmente, eles apresentam comorbidades (a presença de mais de uma doença ao mesmo tempo) e, por isso, tomam diversos tipos de medicamentos. Incluir no rol de remédios um que não tenha sido prescrito por um médico é bastante arriscado, já que pode haver interação medicamentosa.
Uma pesquisa realizada há cinco anos atrás, junto a um grupo da terceira idade de um município do Rio Grande do Sul, apontou que 83,3% dos entrevistados já fizeram uso de automedicação, mesmo que 50% deles tivessem consciência de possíveis interações medicamentosas. Além disso, no organismo do idoso há uma diminuição da função do fígado e dos rins, que são os principais órgãos envolvidos no metabolismo e na eliminação das substâncias. Assim, os medicamentos vão agir de forma diferente e poderão permanecer no organismo de um idoso muito mais tempo que de um indivíduo jovem, sendo potencial causador de problemas.
Algumas substâncias podem interferir no tratamento de doenças crônicas, anulando, reduzindo ou até aumentando o efeito dos medicamentos utilizados. Os analgésicos, por exemplo, podem diminuir o efeito de um remédio utilizado para tratar pressão alta ou diabetes e, com isso, colocar o idoso em risco.
Remédios que foram usados por toda a vida podem, também, na idade avançada, ocasionar problemas que não aconteciam antes. Um exemplo são aqueles relativos à dor no estômago: se utilizados por tempo prolongado, podem reduzir a absorção de substâncias importantes, como ferro e cálcio, essenciais na terceira idade, e ainda causar anemia e osteoporose. Especialistas em geriatria explicam que um antigripal pode aumentar o risco de quedas ou causar problemas mais sérios, como arritmia cardíaca. Isso porque, em sua formulação, possuem várias substâncias, entre elas os antialérgicos, que causam sonolência, e vasoconstritores, que reduzem o fluxo de sangue e aumentam a pressão dentro dos vasos.
Muito além dessas questões, ainda devem ser observadas outras quando se trata da automedicação. A atitude, às vezes, é tão natural que os pacientes esquecem de contar os medicamentos que tomam quando vão a uma consulta médica – ou escondem do profissional de saúde o seu uso (o que pode causar dificuldade em definir o diagnóstico e o tratamento adequado, Muitos sintomas ocorrem devido ao uso de medicamentos. Por isso, sempre deve haver uma relação de confiança entre o médico, o paciente idoso e sua família. Se houve um erro ao se automedicar, erro ainda maior será omitir essa informação.
E, se após o uso, existirem sintomas ou reações, comunique o seu médico imediatamente. Brasileiro ouve até amigo ou vizinho para escolha de remédio. Se não for medicamento indicado pelo médico, ou administrado com o consentimento dele, não use! Lembre-se: a sua saúde faz toda a diferença.