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Como é possível evitar a demência na velhice

A terceira idade.

21 de outubro

Como é possível evitar a demência na velhice

Alguns cuidados podem ajudar a manter a saúde cognitiva do cérebro e não é preciso esperar chegar aos 65 anos de idade para tomar uma atitude

 

Há quem prefira não pensar sobre demência, especialmente se está em uma fase da vida longe de ser afetada por ela. Porém, um total de 9,9 milhões de pessoas no mundo são diagnosticadas com demência, anualmente. Este número está crescendo: hoje, cerca de 50 milhões de pessoas vivem com demência, sendo que pode aumentar para mais de 130 milhões até 2030.

Você não precisa esperar até os 65 anos para tomar uma atitude. Na ausência de tratamento, é importante pensar em maneiras de proteção para a saúde do nosso cérebro. E quanto mais cedo, melhor. Um estudo do Instituto de Pesquisa Rotman de Baycrest analisou fatores cognitivos, de saúde e de estilo de vida no envelhecimento. Foi investigado como é possível manter a saúde do nosso cérebro, enquanto se reduz o risco de demência ao envelhecer. Existem três fatores de riscos para demência os quais não se pode evitar: idade, sexo e genética. Mas um número crescente de evidências tem revelado fatores de risco de início, meio e fim de vida. Aí sim, podemos mudar — seja pelo futuro do nosso cérebro ou o de nossos filhos.

Antes de ir além, vamos eliminar algumas confusões comuns entre a Doença de Alzheimer e a demência. Demência é um termo usado para descrever o declínio em habilidades cognitivas como: memória, atenção, linguagem e resolução de problemas, severo o suficiente para afetar o cotidiano de uma pessoa. A demência pode ser causada por uma variedade de doenças, mas a mais comum é o Alzheimer.

 

Fatores de risco no início da vida

Crianças que nascem com pouco peso para sua idade gestacional apresentam duas vezes mais risco de ter disfunções cognitivas mais tarde. Muitos estudos também identificaram uma relação entre posição socioeconômica na infância ou nível educacional e risco de demência. Por exemplo, baixa posição socioeconômica na primeira infância está relacionada ao declínio de memória na velhice; e uma análise identificou 7% de redução em risco de demência para cada ano adicional de educação.

 

Oportunidades nutricionais mais pobres que, geralmente, acompanham baixas posições socioeconômicas podem resultar em condições vasculares e metabólicas como: hipertensão, colesterol alto e diabetes, que são fatores de risco adicionais para a demência.

E o baixo nível educacional reduz oportunidades de participar de ocupações intelectualmente estimulantes durante toda a vida, além de atividades de lazer que constroem redes neurais mais complexas e resilientes.

 

Trabalhe e se divirta muito na meia idade

Existem evidências substanciais de que pessoas que realizam trabalhos mais complexos contam com funções cognitivas melhores quando chegam à terceira idade, correndo menor risco de demência. Da mesma forma, participar de atividades estimulantes na meia idade, como leitura e jogos, pode diminuir o risco de apresentar a doença em 26%.

Nós sabemos que exercício é bom para a saúde física, mas participar de atividades físicas moderadas ou intensas também pode diminuir o risco de demência. Atividades aeróbicas não só nos ajudam a manter um peso saudável e a manter a pressão sanguínea baixa, como também promovem o crescimento de novos neurônios, especialmente no hipocampo, área do cérebro responsável por formar novas memórias.

E você já ouviu falar que é “aquilo o que come”? Acontece que o que comemos consiste num importante fator de risco para demência. Comer grãos não refinados, frutas, legumes, vegetais, azeite de oliva, peixe e pouca carne — isto é, uma dieta Mediterrânea — está associado a menores taxas de demência. Sempre que é apresentado esse tipo de informação, alguém diz: “mas minha mãe fez tudo isso e ainda assim teve demência”. O pai de um amigo cursou ensino superior, foi diretor criativo de uma grande agência de publicidade, tinha uma rede social ativa e foi casado por 60 anos. Ele foi acometido pela Doença de Alzheimer.

Portanto, ter um estilo de vida saudável e ativo ajuda a aumentar a reserva cognitiva, ampliando a resiliência do cérebro a ponto de pessoas conseguirem manter a capacidade cognitiva durante o envelhecimento, apesar do potencial acumulado da patologia do Alzheimer. Embora todos esses fatores, talvez, não evitem a enfermidade, eles podem permitir que pessoas vivam por mais tempo, com boa saúde cognitiva. Especialistas apontam que isso é o suficiente para levar uma vida mais saudável e ativa.

 

Evite o estresse

De acordo com a ONG Alzheimer’s Research UK, a manutenção de bons hábitos de saúde, como não fumar, manter o peso adequado, controlar a pressão arterial e o colesterol, ter uma boa alimentação e fazer exercício físico são algumas das formas para evitar o problema. No caso do diagnóstico, é preciso continuar com essa rotina para atrasar o início dos sintomas, conforme revelado pelo novo estudo. 

Outra forma de prevenir o Alzheimer é evitar o estresse. Um estudo publicado no Journal of Alzheimer’s Disease descobriu que fatores psicológicos, especialmente a síndrome de burnout – associada ao estresse crônico e depressão – podem aumentar em até 40% a probabilidade de um indivíduo desenvolver demência. “O estresse pode ter consequências graves e prejudiciais, não apenas para a saúde do cérebro, mas para a saúde em geral”, alertou Sabrina Islamoska, principal autora do estudo, ao Medical News Today. Segundo a Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), a síndrome de burnout é caracterizada pela sensação de exaustão emocional, insatisfação pessoal, sentimento de inferioridade em relação aos colegas de trabalho, isolamento, sensação de angústia ao ir para o trabalho, entre outros sintomas. No Brasil, estima-se que 32% dos profissionais sofram com esse esgotamento no ambiente de trabalho.

 

O que é a Doença de Alzheimer, afinal?

É uma doença neurodegenerativa que provoca a diminuição das funções cognitivas, uma vez que as células cerebrais degeneram e morrem, causando declínio constante na função mental. Os principais sintomas da doença são: dificuldade de memória (especialmente de acontecimentos recentes), discurso vago durante as conversações, demora em atividades rotineiras, esquecimento de pessoas e lugares conhecidos, deterioração de competências sociais e imprevisibilidade emocional. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), essa doença é responsável por 60% a 70% dos casos de demência – grupo de distúrbios cerebrais que causam a perda de habilidades intelectuais e sociais. 

Estima-se que 47 milhões de pessoas sofram de demência no mundo, sendo registrados 10 milhões de novos casos, anualmente. No Brasil, o Alzheimer está entre as dez maiores causas de morte e é um problema que afeta 1,2 milhão de pessoas. Por ser uma doença incurável, o diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença já que o tratamento ajuda a controlar o seu avanço e amenizar os sintomas.

 

Fontes: Galileu Revista Digital e Revista Veja

 

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