A cremação e as religiões.
As religiões e a cremação.
Cada religião possui suas particularidades, conheça a seguir alguns rituais.
1) Igreja Católica
A Igreja Católica acredita que a morte é o fim de uma etapa, mas não o fim da história. Portanto, além do velório, há também a missa de sétimo dia. O velório e o enterro ocorrem em sequência, sendo que esse último normalmente é realizado até 24 horas após a morte. O velório é celebrado com incensos, que significa veneração; água, para lembrar o batismo e velas, para simbolizar que a vida vai se queimando. Além do mais, a luz é um sinal de Deus. Os amigos e familiares também costumam fazer uma oração juntos. Um líder religioso conduz o funeral, ora, expressa condolências à família e fala sobre o que a morte significa para o Cristianismo. Outro hábito comum na igreja católica é a vivência do luto. De acordo com a religião, é importante se permitir viver a tristeza do momento. Muitos vestem roupas pretas para simbolizar que perderam um amigo ou familiar.
A cremação é aceita pelos católicos desde o Concílio do Vaticano de 1963.
2) Anglicanismo
Variante da doutrina protestante, a comunhão Anglicana é a terceira maior comunhão cristã no mundo. A urna é colocada na igreja no dia anterior ao funeral e lá acontece a vigília, com serviço noturno presidido pelo bispo, presbítero, ou pelo diácono, podendo este ser masculino, ou feminino (existe ordenação para ambos). O serviço de funeral é antecedido pela Eucaristia, presidida apenas pelo bispo ou pelo presbítero, momentos semelhantes ao ritual católico.
3) Testemunhas de Jeová
A denominação cristã possui membros em 240 países, surgida a partir da década de 1870 nos EUA. Os funerais dos fiéis podem acontecer num Salão do Reino das Testemunhas de Jeová, aberta ao público. Um discurso que explica o que a Bíblia diz sobre a morte e sobre a esperança da ressurreição. Poderá ser entoado um cântico baseado na Bíblia e, no final, é feita uma oração para consolar os presentes.
4) Igreja Mórmon
A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é de fundamentação cristã e características restauracionistas e conservadoras. Foi fundada em 1830 nos EUA e conta com 16 milhões de membros por todo o mundo. A cerimônia geralmente pode ser realizada da maneira prescrita pela igreja da pessoa falecida, sendo que normalmente a igreja não incentiva a cremação. Contudo, se o corpo de um membro for cremado deve seguir informações sobre o local em que as cinzas serão guardadas.
5) Evangélicos
Por serem igrejas autônomas, existem singularidades, mas todas mantém o foco na breve passagem por este mundo e que após a morte física entrarão em plena comunhão com o Criador. Acreditam na Ressurreição dos mortos e, portanto, o cemitério não é a última morada.
6) Islamismo
Religião monoteísta centrada nos ensinamentos do profeta Muhammad e do Alcorão, a religião muçulmana possui alguns rituais fúnebres próprios. Quando alguém falece, a família tenta ter acesso ao corpo o mais rápido possível, levando-o para a mesquita, onde é feito o ritual do banho. Em seguida, vela-se o corpo de acordo com a origem e cultura do falecido. Na manhã seguinte, faz-se uma oração fúnebre e o corpo é levado para o cemitério e enterrado sem caixão. A parte espiritual é a mais importante e há comunidades que rezam durante 40 dias após a morte. A cremação é um ritual desconhecido.
7) Hinduísmo
Por ser um estado de espírito, o Hinduísmo é desprovido de veneração em conjunto e de formalidades eclesiásticas ou de congregação. A tradição diz que o corpo deve ir para casa da família onde é dado o banho e depois se realiza a cerimônia.
No caso das viúvas, por exemplo, é costume retirarem as pulseiras e parti-las em sinal de dor e de respeito para com o marido falecido. O corpo segue depois para cremação e normalmente as cinzas são entregues à família. Diz a tradição que uma parte deve ser lançada ao rio juntamente com flores.
8) Budismo
O Budismo é uma doutrina filosófica e espiritual, que tem como preceito a busca pelo fim do sofrimento humano e assim, alcançar a iluminação. Portanto, os budistas não adoram deuses e não possuem uma hierarquia religiosa rígida. Comparado com o monoteísmo ocidental, o budismo se trata de uma busca pessoal. Porém, nos rituais fúnebres é normal que ofereçam comida aos deuses como um sinal de desapego. A cremação é mais usual dentro do Budismo, mas quando optam pelo sepultamento, o caixão não será impresso com uma cruz durante o funeral. Também é tradição que as crianças estejam presentes nas cerimônias fúnebres, assim poderão se adaptar com mais facilidade à ideia da morte.
9) Judaísmo
A crença considerada como religião, filosofia e modo de vida prega a existência de um único deus. A base do Judaísmo é obedecer aos mandamentos estabelecidos nos livros sagrados, pois para eles, isso é como fazer a vontade de Deus e mostrar respeito e amor pelo criador. Os livros sagrados do Judaísmo não mencionam a vida após a morte, mas após o exílio na Babilônia, os judeus absorveram essa ideia. Em rituais fúnebres no Judaísmo o corpo costuma ser preparado para o sepultamento por três pessoas treinadas que nada tiveram a ver com o falecido. Elas lavam o corpo com um pano e água morna e dão uma atenção especial à limpeza das unhas. Cobrindo o rosto e os genitais do desencarnado, os preparadores, ou Shamashins, se desculpam por estar incomodando o falecido e começam a fazer orações por todas as partes do corpo, a fim de purificá-lo. Após a purificação do corpo, é de costume que coloquem uma mortalha de algodão ou linho sobre o corpo e pedras em seus olhos e em sua boca, para que o falecido não discuta sua morte com Deus ou o veja antes do julgamento final. Antes do funeral, os familiares do morto rasgam suas próprias roupas, como representação do luto. Uma curiosidade interessante sobre os rituais fúnebres do Judaísmo é que os fiéis acreditam que leva algum tempo até que a alma se desligue por completo do corpo e esse processo deve seguir a decomposição natural do corpo. Por isso, no Judaísmo não é permitido a cremação em nenhuma circunstância.
10) Candomblé
O Candomblé é uma religião africana, que se originou em meados do século XVI. Possui uma grande diversidade de culturas, ricos ensinamentos e cultua diversas divindades, os orixás. Geralmente, os fiéis expressam sua adoração por meio de danças, canções e oferendas que desempenham um papel importante na natureza. Não tem a morte como objetivo final, pois acreditam que seja a continuação de um ciclo.
O ritual pós-morte, chamado Axexê, tem como principal objetivo liberar o Orixá protetor do corpo daquela pessoa. A preparação de liberação do espírito, geralmente, é feita na casa de um pai, ou mãe do santo, um lugar considerado sagrado para os fiéis e que somente as pessoas religiosas sabem. Somente após a cerimônia de desligamento, eles são autorizados a começar o velório, onde entoam canções que convidavam os ancestrais a aceitar o novo Egum (espírito) e a louvam todos os espíritos. Por fim, o Ará (corpo) pode ser enterrado. Mas, em um ano após o falecimento, será realizada uma nova cerimônia, que se repetirá após três anos e novamente, depois de sete anos. Segundo os líderes religiosos, o Candomblé possui princípios, filosofias, doutrinas e ensinamentos e aqueles que vivem uma vida sem dignidade, ou seja, fora dos princípios religiosos do Candomblé, perdem o direito de realizar rituais fúnebres.
11) Umbanda
A Umbanda é uma religião monoteísta e afro-brasileira que se baseia em três conceitos fundamentais: luz, caridade e amor. A palavra umbanda pertence ao vocabulário quimbundo de Angola, que significa a arte de curar. Está intimamente ligada à vida em doutrinação, ou seja, que tipo de comportamento devemos ter ao encarnar, de modo a garantir uma boa posição no reino espiritual quando for chegada a hora da partida. Para a umbanda, a morte física não é o fim da vida. Só é entendida como o fim de um ciclo, a passagem da encarnação. Após a morte física, o desencarnado será guiado ao reino espiritual referente ao seu comportamento e as suas vibrações emocionais acumuladas.
O ritual fúnebre na Umbanda é dividido em duas partes: primeiro a purificação do corpo e do espírito e só depois o velório e o sepultamento.
Ainda no necrotério, antes mesmo de preparar ou vestir o corpo, o sacerdote da umbanda faz a purificação do corpo utilizando um incenso e água consagrada e, em seguida, faz uma cruz na testa, garganta, peito, plexo, umbigo e nas costas das mãos e pés com a pemba consagrada e com óleo de oliva consagrado. Então, deve respingar todo o corpo com essências e óleos aromáticos, visando a proteção do espírito. Por fim, o corpo deverá ser vestido e preparado para o velório, onde será realizada uma cerimônia de encomenda de espírito. Este ritual não deve ser relacionado à tristeza, mas sim à alegria, já que o espírito está retornando ao plano eterno e, se estiver pronto, poderá retomar conscientemente sua evolução.
12) Espiritismo
O Espiritismo é uma doutrina científica e filosófica, estabelecida no século XIX. Busca a combinação entre fé, razão e caridade, levando a uma nova experiência religiosa marcada pela vivência, investigação e aprendizagem.
Para os seguidores do espiritismo, a morte não existe. A mente usa o corpo como uma ferramenta para se aprimorar. Segundo eles, o corpo é a roupa e a reencarnação é a evolução do espírito. Da mesma forma que outros fiéis de religiões distintas, os espíritas também velam e enterram os mortos. Ao decorrer dos velórios, eles costumam orar e tentam ao máximo manter o equilíbrio, pois acreditam que a alma do ser desencarnado pode continuar rondando o plano terreno por mais algum tempo até voltar ao chamado Nosso Lar.