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O Afeto em tempos de isolamento social.

O afeto em tempos de isolamento social.

17 de fevereiro

O afeto em tempos de isolamento social: uma reflexão profunda

 

Muito se falava que estávamos nos isolando uns dos outros por meio das redes sociais, deixando de compartilhar momentos de vida e apenas preocupados demais com a “realidade” on-line.

Pois, eis que surge uma pandemia e faz com que todos se tranquem em suas casas, em isolamento social para preservar a saúde física, tendo como janela para o mundo a tela de seus celulares. Não há dúvidas que este cenário ficará marcado na história da humanidade pela questão da saúde pública, mas sobretudo, também por ser um marco que nos levou à reflexão sobre a forma com a qual nos relacionamos com as pessoas.

*Isolamento social: uma medida necessária para o bem de todos

De tanto se falava em falta de empatia no mundo e, de repente, uma enxurrada de pedidos para que ficássemos em nossas casas a fim de mantermos não só as nossas vidas, mas as de outras pessoas, algumas consideradas grupos de risco, como idosos e doentes crônicos. Essa foi a primeira grande chance da humanidade demonstrar a capacidade de exercer o autocuidado e praticar o cuidado com o outro. Isso nos promove a reflexão sobre o nosso papel no mundo?

Se antes achávamos que não éramos, pois agora percebemos que somos sim importantes e partes de uma grande família humana que precisa cooperar e colaborar. O momento permite que nos percebamos como seres individuais, com suas próprias necessidades e angústias, mas ainda como partes integrantes do coletivo. Nossas ações refletem no outro.

*Individualidade: enfrentando o ‘eu mesmo’ no isolamento social

Além do despertar do senso coletivo, esse momento nos trouxe a obrigação de ficarmos mais tempo em nossa presença. As fugas da realidade e o espelhamento com o outro, de forma constante, foi reduzida, proporcionando uma oportunidade única de um mergulhar em si para enxergar nossos traços mais íntimos.

 

O que você percebeu em você durante o período de isolamento social que mais te chamou atenção? 

O que mais te angustiou e quais situações foram resgatadas, consigo ou em família, que te trouxeram alegrias? 

Quantos amigos distantes você sentiu falta? 

Quantas coisas agora estavam ao teu alcance e quantas outras não estão mais? 

 

Todos são questionamentos válidos para convidar a uma reflexão: você consegue identificar os sentimentos que povoaram o seu peito durante este período? Você sentiu raiva das pessoas que estavam indo à rua ou de si mesmo por não poder sair? Quando se sentiu mais triste ou angustiado? Que singelas atividades lhe trouxeram alegria? Pense!

É uma oportunidade preciosa  de sentirmos que o outro está perto, por estar exatamente na mesma situação que a gente, porém distante fisicamente. Não há respostas, por enquanto. Cada indivíduo reage de uma forma e encara a situação de jeitos diferentes.  O que a psicologia consegue explicar é que o isolamento social pode contribuir fortemente para propagar a ansiedade e sintomas depressivos, pelo fato de haver uma restrição imposta por outrem. O importante é conseguir identificar esses sentimentos e aprender a lidar com eles.

*Isolamento social não é isolamento afetivo

Pense como seria estar isolado durante o último grande período em que situação semelhante ocorreu na terra, em 1918, durante a febre espanhola. As condições de vida naquela época e o conforto em casa, para a maioria da população, eram menores que hoje.

Atualmente, a internet possibilita conexões com nossos amigos e que os vejamos em tempo real. Não importa onde estejam. Isso facilita a manutenção do laços sociais e de aproximação com o outro. Afinal, o outro está na mesma situação que eu e, mesmo assim, posso ir até ele.  Enquanto uma ida ao supermercado pode ser um pouco traumática, pelo fato de vermos pessoas com máscaras, nos olhando com caras estranhas e higienizando tudo, o tempo todo, nós sabemos que estamos juntos enfrentando uma pandemia. Em algum momento, vai passar!

Apesar de você estar isolado socialmente, não deve afastar sua presença do mundo, afinal, os seres humanos são sociais e necessitam do contato para manter a saúde mental. Portanto, mantenha seus laços, faça videochamadas, happy hours on-line com os seus amigos. A vida econômica anda devagar, mas o seu amor não precisa parar.

*Sim, a angústia surgirá

Cada um tem uma maneira de reagir ao isolamento social. No entanto, todos passarão por momentos de angústia e esse sentimento é muito normal. Só não devemos fazer com que ele seja o nosso “colchão”. Daí a importância de manter uma rotina, alimentar-se bem, fazer exercícios físicos, adotando a proteção necessária. Da mesma forma, tal como a internet vem aproximando as pessoas,  também pode ser fonte de angústia. Então, divida o seu tempo entre atividades. Conecte-se com os seus sentimentos.

Acompanhar as notícias sobre a pandemia o tempo todo, visualizar o número crescentes de casos e ficar esperando as atualizações dos seus amigos nas redes sociais pode ser prejudicial. Divida a sua atenção com outras ações que lhe dêem prazer e distração.

*Uma oportunidade para exercitar o equilíbrio

Se antes uma das principais reclamações era a de falta de tempo para fazer as atividades ou estar com quem você gosta, agora, isso não existe mais. Perceba o que está à sua disposição de forma calma e tranquila para alcançar o equilíbrio. Do mesmo modo, conseguimos enxergar com clareza o que não está ao nosso alcance. E isso não deve causar desespero.

*Sabemos que não é um momento fácil

Ao contrário, talvez seja um dos momentos mais difíceis da humanidade.  É justamente a oportunidade para refletir melhor e nos reinventar. Um bom exercício, além de pensar sobre o que foi citado nesse texto, pode ser o de aceitar aquilo que chegou e o que está acontecendo. Precisamos do outro e de nós mesmos, tanto na individualidade quanto na coletividade, para superar essa fase.

Lembre-se: o afeto surge de várias formas, além do contato físico. Tenha carinho e respeito por você. Ficará tão mais fácil desejar o mesmo para o outro. E juntos, vamos superar!

 

 

Fonte: Instituto de Psiquiatria Paulista

 

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