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Despedida que conforta e resgata boas lembranças

Independentemente da crença, religião, classe social, o luto sempre é um momento difícil para familiares e amigos e carrega uma mesma significação: a despedida e o testemunho de afeto a quem se foi.

30 de outubro

Encontrar uma forma de amenizar a dor da perda é fundamental, sendo assim dedicar um momento especial para a partida do ente querido pode ajudar a confortar e preservar boas lembranças.

A psicóloga e cerimonialista do Grupo L. Formolo, Angelista Granja, ressalta que o luto é fruto da perda de um ente querido e um processo transitório, mas vem carregado de muito sofrimento e dor. “É uma experiência que envolve uma variedade de emoções, sentimentos, pensamentos e reações psicossomáticas. Esse processo requer cuidados especiais, pois a reestruturação da vida depende da aceitação da morte e da elaboração da perda. A intensidade, o tempo de duração e a superação do luto estão intimamente ligados ao tamanho do vínculo estabelecido na relação entre as pessoas”.
 
Muitas pessoas procuram maneiras de tornar o funeral do ente querido inesquecível como forma de homenagem e de conforto. Angelista reforça que a morte costuma revelar a grandeza do outro. “Por isso, prestar a última homenagem é dar significado a história de vida da pessoa que parte. Essa homenagem, carregada de simbolismo e beleza, pode amenizar a dor, gerar coragem e esperança aos que ficam e também contribuir na elaboração do luto”.
 
Despedida
Desde 2015, o Grupo L. Formolo oferece a seus clientes um atendimento diferenciado de escuta aos familiares enlutados e a organização de um cerimonial chamado Memória e Saudade. “O trabalho, realizado por profissionais da psicologia, tem como objetivo acolher e oportunizar um espaço para as pessoas expressarem sua dor e seu pesar. São histórias lindas contadas muitas vezes entre sorrisos e lágrimas. A partir dos relatos é produzido um texto contendo o perfil e a história da pessoa falecida que será parte integrante do cerimonial. Tudo é feito com muito rigor e cuidado”, explica Angelista.
 
Confira abaixo algumas reflexões importantes da psicóloga e cerimonialista do Grupo L. Formolo, Angelista Granja, sobre o luto.
 
Quais são as fases do luto?
A literatura trás alguns estudos sobre as fases do luto. Cito dois autores importantes: John Bowlby (1990) observou quatro fases do luto: 1) o entorpecimento, 2) o anseio, 3) a desorganização e o desespero, 4) a reorganização. 
 
Quando as pessoas são noticiadas a respeito da perda, passam por uma fase de choque e negação da realidade, ficam extremamente aflitas, características principais da primeira fase, que tem duração de horas a uma semana – o entorpecimento. A segunda fase – o anseio , é marcada pelo desejo de recuperar o ente querido, de trazê-lo de volta. Há buscas frequentes e espera pela aparição do morto; o enlutado passa a ter sonhos com ela e muita inquietação. Logo, culpa e ansiedade são manifestadas após o enlutado compreender a morte, devido a isso entra na terceira fase – o desespero e desorganização, sentimentos de raiva e tristeza são comumente encontrados, pois a pessoa se sente abandonada pela pessoa que partiu e incapacitada de fazer algo. 
 
No entanto, depois que a pessoa tiver passado por momentos de raiva, choque, tristeza, entorpecimento, é que vai conseguir se restabelecer. Embora com a saudade presente, e ainda se adaptando às modificações causadas pela perda, poderá retomar suas atividades, completando a última fase do luto – a reorganização. 
 
Elizabeth Kübler- Ross (2005) chama as fases do luto de estágios. No primeiro estágio, a negação e o isolamento servem como um mecanismo de defesa temporário, um para-choque que alivia o impacto da notícia, uma recusa a confrontar-se com a situação. Ocorre em quem é informado abruptamente a respeito da morte; embora considerado o primeiro estágio, pode aparecer em outros momentos. 
 
A raiva, segundo estágio, é o momento em que as pessoas externalizam a revolta que estão sentindo. Neste caso, tornam-se por vezes agressivos. Há também a procura de culpados e questionamentos, tal como: “Por que ele?”, com o intuito de aliviar o imenso sofrimento e revolta pela perda. 
 
Já a barganha, percebida no terceiro estágio de reação à perda, é uma tentativa de negociar ou adiar os temores diante da situação; as pessoas buscam firmar acordos com figuras que segundo suas crenças teriam poder de intervenção sobre a situação de perda. Geralmente esses acordos e promessas são direcionados a Deus e mesmo aos profissionais de saúde que a acompanham. 
 
A depressão, quarto estágio, é divida em preparatória e reativa. A depressão reativa ocorre quando surgem outras perdas devido à perda por morte, por exemplo, a perda de um emprego e, consequentemente, um prejuízo financeiro, como também a perda de papéis do âmbito familiar. Já a depressão preparatória é o momento em que a aceitação está mais próxima, é quando as pessoas ficam quietas, repensando e processando o que a vida fez com elas e o que elas fizeram da vida delas.
 
Por fim, o último estágio de reação à perda é o de aceitação. Quando se chega a esse estágio, as pessoas encontram-se mais serenas frente ao fato de morrer. É o momento em que conseguem expressar de forma mais clara sentimentos, emoções, frustrações e dificuldades que as circundam. Quanto mais negarem, mais dificilmente chegarão a este último estágio. Cabe ressaltar que, esses estágios não são um roteiro a ser seguido e que podem sofrer alterações de acordo com cada perspectiva pessoal.
 
Como superar o luto?
O tamanho da dor provocada pela perda está diretamente ligado ao tamanho do vínculo estabelecido durante a vida. Cada pessoa tem um jeito particular de superação. Uma coisa é certa, todo ser humano precisa de ajuda e apoio quando passa por perdas significativas. Essa ajuda pode ser de amigos, familiares, grupos de apoio ao enlutado e de profissionais da psicologia. 
 
A espiritualidade, a fé e as crenças também são fundamentais para superação do luto. Ela ajuda na compreensão e na aceitação do ciclo da vida.  Poder falar da nossa dor a quem nos escuta com amor é de fundamental importância. É um caminho, às vezes longo e dolorido, mas que precisa ser vivido, resignificado e superado.
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