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Apesar da mudança no perfil de infectados, idosos devem manter cuidados preventivos contra o coronavírus

Um vírus ainda desconhecido.

07 de abril

Apesar da mudança no perfil de infectados, idosos devem

manter cuidados preventivos contra o coronavírus

 

Passado um ano desde que a Covid-19 fez sua primeira vítima no Rio Grande do Sul - uma idosa internada em Porto Alegre - a pandemia já ultrapassou os 12 milhões de infectados no Brasil e registra mudanças no perfil de óbitos. Na época em que foi confirmado o primeiro caso fatal, 78,5% eram idosos e, praticamente, nove em cada 10 apresentavam comorbidades, a exemplo de problemas cardíacos ou diabetes.

Analisadas somente as notificações emitidas em março deste ano - quando o descuido com medidas de prevenção e a disseminação de variantes do vírus colocaram a pandemia em subida exponencial de contágio -, o padrão das vítimas também revela mutações. O percentual de óbitos com menos de 60 anos, por esse recorte, avança de 21,5% para 27,8%; enquanto a fração de idosos recua de 78,5% para 72,2%. A fatia de vítimas com algum tipo de doença associada cai de 86% para 79%, e a proporção de contaminados que contava com boa saúde, até então, passa de 14% para 21%. Isso quer dizer que a Covid-19 faz cada vez menos distinção entre jovens e pessoas da terceira idade, saudáveis e doentes, no Rio Grande do Sul. 

Ainda não é possível apontar com certeza as causas para essa nova realidade. Porém, especialistas observam que pode estar ocorrendo uma combinação de fatores. “Pode ser um efeito das variantes, mas sempre precisamos considerar que a própria exaustão do sistema de saúde também seja um determinante. O melhor é seguir o caminho da cautela”, analisa o virologista e professor da Universidade Feevale Fernando Spilki. A variante P1, que foi identificada em Manaus (Amazonas) e se espalhou pelo Rio Grande do Sul, está associada a níveis mais altos de transmissão e poderia estar por trás do agravamento da Covid-19 em pessoas mais jovens e com menos doenças crônicas. 

O aumento no número de óbitos entre a faixa etária abaixo dos 60 anos também poderia estar associada a uma maior dificuldade de acesso ao atendimento hospitalar, em razão da sobrecarga imposta pela onda de novos casos ao sistema de saúde. Assim, pacientes que anteriormente contavam com um bom prognóstico de recuperação ficariam mais sujeitos a complicações.

 

Variantes que preocupam

O Boletim Genômico, que identifica e analisa as diferentes linhagens do novo coronavírus em circulação no Rio Grande do Sul - com participação de representantes do Centro Estadual de Vigilância em Saúde, Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde e do Laboratório Central do Estado (Lacen-RS) - aponta que, apesar do aumento do número de linhagens variantes, poucas são as que causam preocupação sobre alterações no comportamento do vírus. O que tem trazido preocupação mundial é o surgimento de variantes que abrigam um número maior de mutações na proteína do vírus chamada Spike, sobretudo após a recente identificação de duas cepas: uma no Reino Unido e outra na África do Sul, ainda não identificada no Brasil.

As variantes P1 (associada à explosão de casos em Manaus) e P2 (identificada no Rio de Janeiro, sendo uma das mais frequentes no RS, principalmente a partir de novembro de 2020) são as mais incidentes no 4º Boletim Genômico do RS, centralizando maior atenção dos especialistas.

 

Perfil de infectados

Com relação ao perfil de contaminados no RS, o Gabinete de Crise do Estado tem analisado indicadores que apontam um volume maior de jovens. No entanto, isso talvez aconteça porque há parcela maior da população contaminada, uma vez que o coronavírus está circulando mais.

No enfrentamento à pandemia, a aceleração da propagação do vírus é o que mais preocupa, junto ao fato dos jovens não serem considerados grupo de risco, o que não pode condicionar ao relaxamento das medidas preventivas. Especialistas destacam que: se há tanta gente internada em hospitais, há muito mais pessoas fora deles, transmitindo a doença, em isolamento em casa ou nas ruas, sem apresentar sintomas. Outro ponto analisado é o número de infectados sem comorbidades, que acabam evoluindo para casos muito graves.

O perfil das pessoas internadas não pode, conforme os especialistas, ser creditado às mutações do coronavírus, pois ainda não há dados suficientes que comprovem essa tese. Análises também apontam um período maior entre o começo dos sintomas, a procura por atendimento médico e a efetiva hospitalização. No início de 2021, a média de tempo para internação variava de seis a sete dias, passando, nas últimas semanas, para oito a nove dias.

O esforço sobre a ampliação de leitos em UTI também impressiona - mais de 150% de leitos em um ano, algo que, sem dúvidas, evitou um número ainda maior de óbitos. Por outro lado, devido à sobrecarga no sistema de saúde, as pessoas estão demorando mais para serem internadas. E, mesmo com essa mudança de perfil de infectados, o cuidado aos grupos de riscos continua sendo fundamental.

A terceira idade é a mais afetada pela Covid-19 e constitui um grupo de risco muito suscetível. Somente medidas em nível populacional, como o uso de máscaras, respeito aos protocolos de segurança, higienização das mãos e evitar, ao máximo, aglomerações pode ajudar a frear a disseminação do vírus. Enquanto a vacina não chega para todos, prevalece a cautela, a responsabilidade individual e em relação ao seu familiar, além da consciência de o quanto é necessário sair de casa e ter contato com outras pessoas, ou priorizar o distanciamento em favor da própria saúde e a dos “seus”.  

 

Colaboração: GZH e Diário Popular / Passo Fundo (RS)

 

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